Resenha: Baía da Esperança, Jojo Moyes

baiares

“… Mike diz que, na verdade, tudo se resume a uma história de amor…”.

Se pudéssemos escolher uma palavra que definisse toda a história contada por Jojo Moyes em Baía da Esperança sem dúvidas seria amor. E no livro o encontramos de toda forma: fraternal, maternal, carnal, pelos animais, por um lugar… Sem dúvidas, um romance emocionante.

A história é contada através da narrativa de diversos personagens, o que dá ao leitor uma ampla perspectiva do enredo e diferentes pontos de vista dos acontecimentos. Essa estratégia facilita a compreensão dos personagens, pois não os conhecemos somente através de um único narrador, o que acaba por enaltecer as características pertinentes de cada um.

O romance começa com histórias paralelas em Londres e em Silver Bay, na Austrália. O ritmo é meio lento no início do livro, mas aos poucos as histórias se cruzam e fica bem interessante. Mike, investidor do mercado imobiliário londrino, ao procurar um local para seu novo empreendimento, encontra em Silver Bay as “condições ideais” para o sucesso do projeto. Ao viajar até o local para conseguir as licenças necessárias para o início da obra, Mike hospeda-se no Hotel Baía da Esperança; e é nesse momento que a história se unifica.

Para quem já leu alguns livros do autor Nicholas Sparks, é quase impossível não perceber semelhanças com suas tramas: uma área litorânea intocada pelo tempo, um segredo de família, um relacionamento amoroso improvável, uma causa nobre, ciúmes, um amor que ultrapassa o tempo… Apesar dos pontos em comum, é bem prazeroso perceber a diferença da escrita e na forma de conduzir a narrativa, de cada autor até chegar ao desfecho. Como leitora, perceber tanto as similaridades quanto as diferenças foi algo que me agradou muito.

De volta à história, o personagem de Mike é o típico homem de negócios, que almejou sucesso desde muito cedo e planejou tudo para chegar ao seu objetivo. Extremamente pragmático, ele não tinha muitas paixões em sua vida, e até mesmo seu noivado se encaixava dentro de seus planos para assumir a empresa na qual trabalha, atingindo seu ápice profissional. Mas, ao chegar a Silver Bay, é possível acompanhar como o modo de vida e os residentes do local vão interferindo em sua personalidade, o fazendo repensar seus valores e objetivos, e finalmente cativando paixões que ele nunca sentiu. Chama atenção o seguinte contraste no personagem: no que diz respeito aos negócios, ele é um exímio pesquisador, checando sempre todas as possibilidades. Já com relação às pessoas que o rodeiam, interessa-se muito pouco, nunca se envolvendo profundamente com suas questões, característica que vai se transformando ao longo da história.

O núcleo do Hotel Baía da Esperança é formado principalmente pelas mulheres que o habitam: Kathleen, Liza e sua filha Hanna. Desde o início, fica explícito que a personalidade fechada de Liza é consequência de um trauma de seu passado, segredo guardado por sua tia Kathleen. A principal atividade comercial do local é a observação de golfinhos e baleias, algo que o projeto milionário da empresa de Mike coloca diretamente em risco. Quando as intenções iniciais de Mike vêm à tona, ele já não possui os mesmos objetivos de quando chega a Silver Bay. Aí acontece a grande reviravolta do personagem, onde ele renuncia ao seu antigo modo de vida para lutar por seus ideais. O impasse entre moradores locais e a empresa de Mike torna-se o foco na trama, e “sem querer” acaba tendo como consequência a revelação do segredo de Liza.

No momento que o passado de Liza é exposto, o leitor – que caso ainda não estivesse envolvido com a história – fica completamente absorvido por ela. Várias “pistas” do contexto do que seria seu trauma vão sendo dadas aos poucos ao longo da narrativa, principalmente por Hanna. Sua conflituosa relação com a mãe é reflexo dos medos adquiridos por Liza ao longo de sua vida, e a sequência de encontros e reencontros que ocorrem a partir da revelação são catárticos.

Confesso que quando alguns personagens não tiveram o retorno esperado, mesmo com suas atitudes desprezíveis, fiquei um pouco frustrada, como aquele sentimento de “não é possível que não vá acontecer nada mais grave com esta pessoa?!”. Mas ao avançar um pouco mais na história e finalmente chegar ao seu desfecho, entendi: não é um livro sobre vingança ou sobre justiça, é um livro sobre amor. E ao permitir aos seus personagens encontrar o amor que tanto buscaram, fosse ele por um lugar, um filho, um amante, um irmão, animais ou até mesmo por si próprio, Jojo Moyes entrega sua mensagem e finaliza com elegância e emoção um de seus melhores romances.

13275784_1138224046244635_1301740189_n

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *