Livro X Filme: O Quarto de Jack

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Bastante tempo após a estreia, e passado o entusiasmo pós-oscar, esta semana eu finalmente assisti ao filme O Quarto de Jack, baseado no livro O Quarto da escritora irlandesa Emma Donoghue.

Eu li o livro no início do ano, logo após a cerimônia do Oscar que premiou a protagonista Brie Larson como melhor atriz, movida por pura curiosidade pela história que havia inspirado o filme. Confesso que foi um dos livros mais “pesados” que me recordo de ter lido nos últimos tempos e, me desculpem, mas não haverá resenha dele (existem livros que não consigo reler e este é um deles).

Apesar de muito bem escrito, a densa narrativa continha alguns fatos que incomodaram bastante, e me fizeram refletir se eram de fato pertinentes para a história ou se a autora os havia inserido no contexto somente com a intenção de chocar o leitor. Mesmo com o terrível contexto da história, não consegui criar empatia pela personagem Ma (a mãe de Jack), o que me incomodou, e suas atitudes que me desagradavam bastante, acentuaram isso. Após a primeira parte da história e seu clímax, a narrativa ficou confusa, cansativa e fiquei decepcionada ao chegar ao final. Concluindo, trata-se de um bom livro que conta uma emocionante história, mas que pessoalmente, não me agradou.

Então acabei procrastinando o ato de ver o filme, fazendo-o somente agora. E posso dizer que esse é um dos raros casos em que a adaptação cinematográfica me agradou mais que o livro. A história é contada em sua essência, e a ligação entre Jack, a mãe e o Quarto continua sendo o fio condutor. Porém diversos pontos foram omitidos ou modificados e… Confesso que fiquei aliviada com alguns deles.

Mesmo me agradando o fato de o filme ser menos “perturbador” que o livro, a adaptação pecou um pouco. Personagens e tramas paralelas que foram excluídos da história fizeram falta, pois a tensa adaptação de Jack ao “mundo real” acabou sendo contada de forma muito simplista. Também tiveram temas como o abuso da mídia, a rejeição do avô de Jack e a frustação da Mãe com a sua situação (e principalmente com as possibilidades que lhe foram roubadas), que foram pincelados na história e não apresentados como deveriam, já que eram pertinentes ao contexto geral. Mas infelizmente, este tipo de situação ocorre quando temos uma narrativa muito densa e extensa adaptada para o cinema.

Já no contexto positivo, os fatos que me incomodaram durante a leitura foram excluídos em grande parte – com exceção da questão do dente da Mãe, que mesmo com todo o conceito existente por trás, é muito nojenta. Mas nos pouparam de outros momentos bem constrangedores – a “amamentação” de Jack foi um deles.

Tanto no livro quanto no filme, o enredo não dá muito espaço para conhecermos o sequestrador (“Velho Nick”), e também não enfatiza de forma clara o “destino” dele após a descoberta do Quarto. O que é positivo, pois o sequestro/estupro está presente na história (obviamente), mas não chega a ser seu tema central.

No que diz respeito às atuações, acho que Jacob Tremblay merecia mais qualquer prêmio do que a atriz Brie Larson; a atuação dela está muito boa (não sei se o suficiente para o Oscar), mas o menino é brilhante. A direção e a fotografia do filme merecem destaque.

Concluindo, acho válido tanto a leitura do livro quanto assistir ao filme, ambos são fortes e bem construídos (e se possível nesta ordem: livro depois filme). Porém, apesar de não ter me emocionar tanto, o filme me agradou mais, me deixando mais “confortável” como expectadora.

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Caso tenha se interessado pela história, segue abaixo a Sinopse do Livro:

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“Para Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, leem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la.
O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.”

Fonte: Saraiva

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