Resenha: A Elite, Kiera Cass

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O segundo volume da trilogia A Seleção, inicia-se com a protagonista da história, America, ainda dividida entre seu amor de infância por Aspen e os sentimentos que surgem pelo príncipe Maxon durante a seleção. Agora restam somente seis meninas na competição, o que a torna mais acirrada e traz à tona a essência dos envolvidos – até mesmo do príncipe.

Com uma dinâmica mais acelerada, A Elite aborda de maneira mais intensa as relações de confiabilidade entre os personagens. No caso de America, isso é algo que vai desde a relação com Maxon, à sua amizade com Marlee e a confiança cega que possui em seu pai. Mas, principalmente, trata da segurança que a protagonista precisa ter em si própria.

A relação amorosa de America e Maxon chegará ao ápice com a menina finalmente assumindo o que sente, e se desconstruirá ao longo do livro. Após um acontecimento trágico e cheio de mal-entendidos envolvendo Marlee, o vínculo de confiança existente entre o casal sofre um forte baque, o que abre espaço para que America reaproxime-se de Aspen (agora guarda do Palácio), e para que Maxon se envolva de fato com as outras participantes, principalmente Kriss.

Aliás, a trajetória de Maxon ao longo desde volume é um tanto quanto decepcionante. Se no primeiro livro, somos apresentados a um jovem solitário, bem-intencionado, romântico e apaixonado, neste conhecemos sua insegurança, seu medo da solidão, sua ânsia em agradar o Rei, e até mesmo seu machismo – a passagem em que ele justifica para America seu envolvimento com Celeste é digna de “revirar o estômago”. Durante o decorrer do enredo, o príncipe tem algumas atitudes positivas, mas que ficam pequenas perto da forma como passa a se portar. Somente nos momentos finais do livro é que é possível reconhecer em Maxon a personalidade cativante que é demonstrada em A Seleção.

As invasões rebeldes cada vez mais recorrentes e violentas ao Castelo, e os acontecimentos que levaram à fundação de Iléa ganham mais espaço no enredo. Se no primeiro volume, America questiona brevemente os fatos que levaram a consolidação do sistema político de seu país, neste vemos a personagem buscar de forma cada vez mais analítica sua origem, questionando também a justiça de sua configuração sócio econômica.

Após tomar conhecimento da verdade sobre a história de Gregory Iléa (fundador de Iléa), America vê sua relação com Maxon abalar-se ainda mais, e outro de seus questionamentos é acentuado: ela realmente conseguiria ser princesa de Iléa, sabendo o que sabe agora? Diante deste conflito pessoal, a protagonista não consegue dividir suas aflições com ninguém, já que sua relação com Maxon está cada vez mais fria e Aspen não a entende. Movida por sentimentos contraditórios, America então age de forma impulsiva, expondo não somente a si mesma, mas também o príncipe, traindo sua confiança.

Porém, um acontecimento inesperado ocorre, deixando America e Maxon sozinhos e trancados. Desta forma, o casal é obrigado a conversar e esclarecer todos os seus desapontamentos e desconfianças mútuas (algo que não conseguem fazer claramente em boa parte do livro), levando-os a assumir seus sentimentos.  Maxon confessa estar ferido e que sua confiança foi abalada, mas que ainda tem interesse por America. O príncipe deixa claro que a garota precisará lutar pelo seu amor e confiança, e também acreditar nele antes de tirar conclusões precipitadas.

As consequências da atitude impulsiva de America ganham proporções acima das que ela esperava, despertando a ira do Rei. Em um diálogo ofensivo, o mesmo deixa claro seu descontentamento com a permanência da garota no Castelo, e que fará o possível para dificultar não apenas a sua estadia ali, mas também que ela seja a escolhida pelo príncipe.

A história se encerra com America assumindo seus sentimentos e deixando o caminho de Aspen livre, ao pedir que ele se afaste. Pela primeira vez, a jovem está de fato comprometida com A Seleção e seu desejo de vitória não tem como objetivo a coroa, mas sim o amor de Maxon.

Concluindo, A Elite mantém a narrativa instigante e leve do primeiro livro da trilogia. Aborda temas que estavam em aberto, dando desfechos a eles, e traz à tona novas tramas. O livro funciona bem como elemento de transição entre início e fim da saga, cumprindo seu papel de manter o interesse do leitor com êxito.

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Opinião da Leitora Dinâmica: Se no primeiro volume Maxon me cativou completamente, em A Elite perdi a conta do número de vezes que sua infantilidade e insegurança me decepcionaram. Em nenhum momento desde que iniciei a leitura, tive alguma simpatia por Aspen, e isto se manteve até o fim. Algumas passagens do livro em que o machismo de alguns personagens fica explícito também me desagradaram, mas acredito ter sido esta a intenção da escritora. Minha ansiedade para ler a conclusão da trilogia está alta, mas confesso certo temor diante da quantidade de “pontas soltas” que precisam de desfecho e também da rapidez com que a personalidade dos personagens se modifica – confesso que isto foi algo que não me agradou muito e interferiu na empatia que sentia por alguns, algo que no volume final de uma série, pode ser bem negativo.

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