Resenha: Melancia, Marian Keyes

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Melancia, primeiro best-seller da escritora Marian Keyes, conta a história de Claire Walsh, uma irlandesa que é abandonada pelo marido, James, no exato momento em que acaba de dar à luz a primeira filha do casal. Como a personagem é a narradora da história, o leitor fica a par de todos os sentimentos e conflitos que a mesma precisa enfrentar.

Aos 29 anos, sozinha e com uma filha recém-nascida, Claire decide sair de Londres onde morava por um período, e viajar para a casa dos pais em Dublin. Completamente abalada, pois seu marido a abandona para viver com outra mulher (a vizinha deles), Claire passa por todos os estágios de rejeição e humilhação pertinentes à traição que sofre. O fato de ter acabado de dar à luz acentua ainda mais seu sofrimento, pois se sente na obrigação de pensar por ela e pela filha, mas diante de sua depressão, não consegue fazê-lo. Filha mais velha de uma família com cinco filhas, ela conta com a ajuda de seus familiares que ainda moram em Dublin: seus pais e suas duas irmãs mais novas, Anna e Helen para cuidar da filha e se reequilibrar.

Diante da traição do marido e fim casamento que considerava perfeitos, Claire passa a se questionar sobre o que pode ter acontecido de errado, sem conseguir enxergar motivos para a atitude de James. A tristeza, somada com a sua falta de autoestima (ela está bem acima do seu peso devido à gravidez, comparando-se a uma Melancia – e daí vem o nome do livro), a colocam num espiral de depressão e auto depreciação. Ela passa a viver os seus dias cuidando o máximo que consegue da filha, e esperando o retorno do marido, desejando sua “antiga vida” de volta. Posterga inclusive, a resolução de questões financeiras básicas, pois para ela, tomar estas decisões significa assumir que seu casamento acabou.

Com o passar das semanas, Claire começa a aceitar o fato de que seu marido não irá voltar e dá início a um processo de reação. Percebe que perdeu peso, volta a se vestir de forma decente, cozinhar e dar mais atenção à filha. É neste momento que ela conhece o atraente e gentil amigo da irmã, Adam. Logo no primeiro momento Claire interessa-se por ele (mesmo negando isto inicialmente), e a atração é mútua. Os dois então dão início a um complicado relacionamento, regado a momentos de crise, pois Claire ainda está insegura para envolver-se novamente. Adam trata Claire muito bem, o que a faz sentir-se bem em sua presença. Ele sempre a lembra o quanto ela é interessante e especial, e assim a personagem começa e retomar o seu já esquecido amor-próprio.

E quando finalmente a personagem parece estar entrando em sintonia com Adam, seu marido reaparece. Mas ao contrário do que Claire fantasiou ao longo de meses, James não retorna pedindo seu perdão e implorando que ela retorne para casa. Ao contrário, ele coloca Claire na posição de culpada, alegando que seu temperamento imaturo e egoísta foi um catalizador para a traição que cometeu, e exige mudanças drásticas por parte dela para que eles possam reatar.

Desnorteada, e pensando no ambiente familiar que gostaria de dar à filha, Claire acaba assumindo a culpa que lhe é imposta, e aceita voltar para Londres e para James – mesmo não estando feliz com essa decisão e magoando Adam. Porém, ao entrar sem querer em contato com antigos amigos, surpreendentemente Claire descobre o quão desesperado James estava para tê-la de volta. A personagem conclui então que todo o discurso de seu marido foi uma forma de manipulá-la, pois o isentava do grave erro que cometeu, e ainda era uma maneira de “domesticar” sua personalidade que o deixava tão inseguro.

Neste momento do enredo, Claire deixa de ter uma visão romântica de James, e passa a enxergar seus graves defeitos, inclusive seu pouco interesse pela filha, e vai deixando gradualmente de amá-lo. Tomada pela ira, ela vai até Londres e finalmente termina seu casamento de uma vez por todas. É importante ressaltar que mesmo quando percebe que está prestes a perder a esposa para sempre, James não admite seus erros e continua insistindo que a culpa do término do casamento não é sua, e que Claire não está com “a cabeça no lugar”.

Perante este novo quadro de sua vida, e após algum tempo para “digerir” tudo o que aconteceu, Claire finalmente amadurece e toma as atitudes que tanto postergou; consegue um novo lugar para morar, define a ajuda financeira que James dará a filha e decide retornar para Londres e para seu antigo emprego. E é neste meio tempo que ela se reencontra com Adam, e descobre mais sobre sua história, inclusive o fato de que ele também está de mudança para Londres. Os dois então assumem seus desejos e livro termina com o caminho aberto para o início de uma bela e saudável relação.

Concluindo, Melancia é um livro que trata de assuntos muito pesados como depressão, abandono e traição, dentre outros, mas sempre com muito bom humor. A escrita rápida, irônica e às vezes até mesmo confusa de Marian Keyes é pertinente à história, pois a mesma é contada pela perspectiva da protagonista que de fato, está confusa. Durante todo o livro a sensação é que estamos ouvindo o relato de uma amiga, e acredito que este tenha sido o desejo da escritora. Com personagens carismáticos e uma história crível e cotidiana, Melancia é uma leitura que merece ser feita (e refeita!) e faz jus ao seu número de vendas.

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Opinião da Leitora Dinâmica: Havia lido o livro há mais de cinco anos atrás e lembro que na época o achei muito divertido e que a escrita da autora me agradou muito, o que me levou a ler seus outros títulos (alguns até melhores que Melancia). Ao reler a história agora, percebi de uma forma diferente as nuances dramáticas do enredo, e a forma divertida, porém direta que a autora trata questões muito graves como drogas e depressão. Foi uma leitura muito produtiva, e que reafirmou Marian Keyes como uma das minhas autoras favoritas.

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