Resenha Crítica: Gilmore Girls : A Year in the Life

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“To the circle of life”. Lorelai não poderia ter escolhido brinde melhor para falarmos do final do revival de Gilmore Girls – A Year in the Life, produzido pela Netflix. Se vc ainda não terminou a temporada e não quer spoilers vou ter dar a chance de parar de ler o post aqui, ok?

Ok?

Bem, vamos la:

Confesso que ao ouvir as últimas quatro palavrinhas mágicas do episódio intitulado Fall, fiquei revoltada (e o controle remoto precisou ser retirado da minha mão por motivos de mantermos a tv inteira). Mas depois li diversas reviews, comentários dos produtores e, pensando melhor, foi o final mais condizente com o “ciclo” vivido pelas diferentes gerações de mulheres Gilmore. 

Falando particularmente de cada um, achei o final de Emily um pouco melancólico mas perfeito; a mulher que dedicou a vida ao marido, precisou se redescobrir e reinventar após a morte do mesmo e a atuação de Bishop foi exemplar. A mudança de cidade também mostra um certo (mas não completo) amadurecimento com relação ao controle que sempre gostou de ter sobre a filha (o que na minha opinião justifica sua ausência no casamento de Lorelai). 

Já Lorelai como sempre teve os melhores diálogos e cenas (destaque para a cena na clínica de Paris, outra atriz sensacional). A personagem precisou de um momento de “iluminação” para admitir o luto e admiração pelo pai e também seu desejo de casar-se com Luke. Foi dramático, cômico e lindo, como as cenas envolvendo Graham costumam ser. 

Agora vamos falar de Rory, a grande protagonista deste revival. Achei genial a sacada da vida profissional dela ter sido um fracasso, pois caracteriza o quadro de toda a sua geração, e a “turma dos 30” em Strars Hollow da ainda mais ênfase a isto. A vida de Rory está uma bagunça em todos os setores, ela é sutilmente “humilhada” em diversos momentos, está completamente sem autoconfiança e amor-próprio, o que justifica seu taaaaaao criticado relacionamento com Logan. Rory aceita migalhas de felicidade, e a aparição da Brigada exemplificou isto. “Uma noite perfeita” como ela mesma disse, naquele momento bastava, quando na verdade ela deveria estar em busca de algo que não fosse apenas uma noite. Rory perde até mesmo seu orgulho, candidatando-se a um trabalho em um site que detestava e aceitando a ajuda do pai de Logan, algo que negou em diversas situações nas temporadas anteriores. A desconstrução da “perfeição” de Rory foi algo interessante de assistir e mostra também que apesar de tudo, Lorelai fez o melhor que podia mas não passou para sua filha toda sua força. Diferente da mãe, Rory tem traços de uma menina mimada, acostumada a ter o que quer, e que quando não consegue, entra em colapso. 

Sua decisão de escrever o livro sobre sua história e de Lorelai foi poética, e a sugestão ter vindo de Jess demonstra que o vínculo entre os dois ainda existe, e que ele de fato é o único que enxerga e aceita a personagem como ela é. Dean idealizava Rory, Logan via nela um projeto/ alguém a ser corrompido pela sua irresponsabilidade, mas Jess sempre a colocou em primeiro lugar (mesmo quando a abandonou sem explicação, permitindo que ela seguisse em frente com seus estudos e não a arrastando para a confusão em que ele estava). E aí vem a gravidez… e sério, óbvio que este filho é do Logan (parem com as especulações pfv!) e a conversa que Rory tem com o pai deixa isto bem claro. Desde as temporadas antigas ficava clara a semelhança entre Logan e Cristopher, o que justifica o implicância perpétua de Lorelai pelo rapaz. E aí vemos Rory questionar o pai sobre sua criação (Bledel finalmente mostra seu talento nesta cena, aliás) deixando clara a atitude que pretende tomar. E sim, meu chute é que Jess assuma futuramente em sua vida um papel similar ao de Luke na de Lorelai, e vamos à frase inicial deste post “um brinde ao ciclo da vida”, que se repete mais uma vez. 

Mas sim, a Netflix deixou muitos caminhos em aberto, e torço para que tenha uma nova temporada, pois sinto que ainda ficou algo por dizer e como fã, ficarei frustrada caso este seja o “final oficial”. Vamos aguardar. 

No geral o revival foi agradável, inteligente, engraçado, mas me arrancou menos lágrimas do que eu esperava e teve alguns furos chatos. Ok, a agenda de Melissa McCarthy estava um caos, mas a presença de Sokkie foi tão superficial que até a atuação das atrizes demonstrou isso, como se estivessem desconfortáveis na presença uma da outra. Outro ponto desnecessário foi o tempo gasto com o musical de Stars Hollow; minutos e mais minutos de enrolação para fãs que esperaram 9 anos para rever seus atores/personagens favoritos em ação novamente. Foi bem irritante. Mas a aparição de Dean e o mea culpa de Rory merece ser destacado, foi emocionante e um ótimo ponto final para o personagem.

Matamos a saudade, mas concordo que sim, como já li em alguns lugares: “precisamos de um revival do revival”. 

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