Resenha: Nimona, Noelle Stevenson

nimona

Com história e ilustrações de autoria da americana Noelle Stevenson (premiada pelo Eisner Award e finalista do National Book Award), Nimona possui uma sinopse aparentemente simples e “comum” ao mundo dos quadrinhos: “Nimona é uma metamorfa sem limites nem papas na língua, cujo maior sonho é ser comparsa de Lorde Ballister Coração-Negro, o maior vilão que já existiu”. Porém ao iniciarmos a leitura, percebemos que Nimona foi criado para quebrar padrões.

De forma brilhante, a autora consegue contar a história de sua anti-heroína com extrema sutileza e tratando diversos assuntos, como: feminismo, fantasia, homossexualidade, exclusão, amizade, valores, relações familiares, perdão, política, dentre outros. Os desenhos possuem mais que um papel meramente ilustrativo do enredo, tornando-se parte crucial dele em muitos momentos (destaque para a mudança do cabelo da personagem principal à medida que sua personalidade vai se transformando), o que enriquece muito o desenvolvimento da obra.

Os diálogos entre Nimona e Ballister são complexos, e ao mesmo tempo em que constroem o relacionamento entre os personagens, contam muito a respeito de ambos. Sempre em conflito, Ballister mostra até o final do livro que seus valores são sólidos, priorizando sempre o coletivo e o “correto a se fazer”; o personagem inicia o livro como vilão e termina como o herói que sempre foi. Sem muitos spoilers, sua relação com Sir Ouropelvis, apesar de subentendida, foi algo inesperado e que deu um toque especial à obra.

Já Nimona, ao mesmo tempo em que conta muito sobre si e mostra sua personalidade impulsiva e intempestiva, deixa muitas lacunas em aberto. Não consigo afirmar se haverá uma continuação, mas o fato é que foi criado todo um universo propício a isto. Os personagens foram explorados, mas não esgotados sua totalidade, principalmente ao que diz respeito ao passado de Nimona e os abusos sofridos por ela (que acabaram moldando sua personalidade), e também ao real papel e iniciativa da Instituição.

Com relação ao final, se eu afirmar que o mesmo me agradou, estarei mentindo. Fiquei com aquela sensação enorme de “preciso saber mais”. Faltou um melhor direcionamento no futuro dos personagens, principalmente de Nimona, que diante de tantas injustiças merecia algo mais concreto e positivo em seu desfecho. O final é pertinente, não atrapalha a história ou o resultado como um todo, mas não acompanha o nível com o qual a mesma foi construída.

Pessoalmente, torço e espero por uma continuação, e indico enfaticamente a leitura; mesmo e principalmente para leitores que como eu, não sejam muito atraídos pelo mundo dos HQ’s.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *