Review: Animais Fantásticos e os Crimes de Grindewald

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Com algum tempo de atraso, criei coragem para fazer este Review. Coragem, porque direi algo pela primeira vez na vida: J. K. Rowling não acertou, o que na verdade quer dizer que, na minha opinião – ela errou.

Antes que eu receba uma onda de xingamentos, deixa eu esclarecer algo: eu sou MUITO fã de Harry Potter. Mesmo. Já disse isso aqui, mas vou repetir – é um dos livros que mais me marcaram, acho JK fantástica e chorei igual a um bebe quando entrei no parque da Universal. Então é muito difícil como fã, enxergar defeitos no universo Potter.

Claro que já fiquei insatisfeita outras vezes com rumos da história: as mortes desnecessárias no último livro (Fred Weasley por exemplo), e o destino de Dumbledore – apesar de necessário. Porém, mesmo não concordando sempre via coerência nos acontecimentos, o que não ocorreu em Animais Fantásticos e os Crimes de Grindewald. 

Saindo do cinema, meu primeiro pensamento foi: preciso ver este filme novamente (ainda não o fiz, aliás), e não foi porque  “amei” a produção, mas sim porque estava confusa diante do que havia acabado de assistir.

Este post é livre de spoilers, até porque outros foram feitos em demasia – ao final vou deixar o que considerei a melhor crítica do filme, aliás. Mas gostaria de analisar alguns pontos pertinentes e seus desdobramentos.

  • Fan-service: é inegável o excesso de fan-service presente no filme e como afetou negativamente a trama. Personagens introduzidos para agradar aos fãs não tiveram a importância que deveriam no desenrolar do enredo e ainda atrapalharam uma consolidada linha temporal, construída ao longo de vinte anos de publicações. Não me desagrada quando autores agradam ao público entregando aquilo que ele anseia em assistir mas, em demasia, cansa. E francamente, o fan-service mais pedido e esperado desta produção – a relação amorosa entre Dumbledore e Grindewald – foi pouquíssimo explorado, o que foi frustrante.
  • “Filme de intersecção”: sabemos que a franquia terá cinco filmes, sendo este somente o segundo, e outras sagas conhecidas tiveram produções que foram conectores da trama geral – Senhor dos Anéis, por exemplo. Porém, isso nunca havia acontecido no universo de J.K. Rowling; mesmo com pontas soltas, cada filme/livro sempre teve um começo-meio-fim, o famoso “roteiro-redondinho”, enquanto que em “Crimes de Grindewald” vários plots são iniciados, mas poucos deles fechados e, um número menor, bem desenvolvidos. Pode ser que após a exibição do terceiro filme, “tudo faça sentido” mas, não me agrada a ideia de esperar dois anos para compreender uma história de forma ordenada e clara. Mesmo o argumento da “revelação” do final foi “jogado” no telespectador, com pouca ou nenhuma construção – sem citar as interferências que acarretará na história que já conhecemos. Pessoalmente, sair do cinema com mais interrogações que respostas ou embasamentos foi bastante incômodo.

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  • Johnny Deep: Criticou-se muito a escolha do ator, e por mais que me desagrade a “pessoa” de Deep e os fatos negativos já divulgados sobre ele, é inegável o quão bem ele está como Grindewald. Dar “vida” à um personagem tão contraditório, que acredita em um discurso terrível mas o prega de forma tão eficaz que parece ter sentido e torna-se sedutor, não é uma tarefa fácil; o ator a cumpriu com maestria – e sem nenhuma sombra de Jack Sparrow! Jude Law também estava excelente nas poucas cenas como Dumbledore, e a ansiedade para vê-los contracenando, cresceu.
  • Leta Lestrange: agora sim faço um mea-culpa e confesso que não gosto da Zoe Kravitz. Acho ela péssima atriz, inexpressiva e fria… o que obviamente pode ter afetado minha empatia pela personagem, mas tanto foi falado sobre a mesma que esperei um desenvolvimento maior – de caráter, história e até mesmo do passado de Leta. Os fatos contados e mostrados foram confusos e pouco cativantes.
  • Newt: sou fã de Eddie Redmayne e considero ele perfeito no personagem, mas é possível ver traços da atuação dele como Stephen Hawking em Newt – o que não chega a ser negativo, mas chama mais atenção do que deveria.

Concluindo, preciso assistir novamente o filme e principalmente o próximo para ter uma opinião mais concreta, mas a frustração de não sair do cinema “amando” o que vi – principalmente quando se é fã – é inevitável. Espero que produção e autora assimilem todas as críticas que vêm sendo feitas e façam as mudanças necessárias, para que Animais Fantásticos consiga corresponder ao alto patamar de qualidade construído ao longo dos filmes de Harry Potter.

Abaixo, deixo o vídeo – COM SPOILERS – do canal Toga Voadora, uma das análises que mais gostei sobre o filme.

Fonte: Canal Toga Voadora

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